quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal.

Sem muito o que escrever. 
Nada pra sentir.
Nem ouvir. 
Nenhuma música decorada.
Sem rimas. 
Sem versos. 
Sem poemas ou poesias. 
Alguns sentimentos. 
Muitas mágoas. 
Poucas lágrimas. 
Alguns sorrisos. 
Vários livros. 
E um único desejo: Amor sem dor. 

Feliz Natal!

Rosi Rosa. 


domingo, 30 de novembro de 2014

Não virar fim



"A gente alonga a história, nem que seja para dizer que chorou. Porque terminá-la, colocar um ponto definitivo, é duro demais. A gente vira dor para não virar fim."


— Tati Bernardi.  

Destino






"O destino quis 
que a gente se achasse, 
na mesma estrofe 
e na mesma classe, 
no mesmo verso 
e na mesma frase."



— Paulo Leminski.

Recite palavrões


Pois é...


Permita-se desistir


Apimentada humanidade.


Eu te esperei o ano inteiro




Eu te esperei o ano inteiro,
mas foram tantas vidas.
E cadê?
E agora o ano está acabando.

— Gilberto Amendola


Passado



Poderia ter sido tudo e um pouco mais na minha

vida, mas escolheu ser passado. - THIARA MACEDO

sábado, 4 de outubro de 2014

Nosso amor ainda não acabou.‏



Caminhei sem pressa por uma estradinha de pedras e flores, uma lágrima escorreu, molhou meus lábios, senti o gosto salgado de dor. 

Dor.

Fechei os olhos rapidamente. 

Parei. 

Respirei profundamente. 

Inclinei a cabeça e deixei que o vento secasse minhas lágrimas, deixei que o fraco sol aquecesse a minha pele fria e pálida.
Resmunguei baixinho.

Continuei andando com calma.

O coração batia apressado. As lágrimas voltavam com força, escorrendo pelo meu rosto inteiro. Minhas pernas fraquejaram. Apoiei em uma árvore e dali fiquei observando, pessoas choravam alto, outras apenas balançavam a cabeça em um silêncio doloroso, contido. Algumas se apoiavam em abraços apertados, outras choravam em ombros reconfortantes. Eu estava sozinha em minha dor. A distância eu vi você descer pelo sepulcro lentamente. Vi a terra cobrir o caixão. Vi as flores sendo jogadas. Ouvi preces. Choros. Gritos e descontrole. A distância, eu senti revolta por te perder... por me perder...

Foram muitos minutos de uma despedida barulhenta. Muitas lágrimas. Muitos 'adeus'. E eu, estava ali, apoiada naquela árvore, esperando o meu momento de te dizer 'adeus'. Sozinha. Pra sempre. 

Um a um foram partindo, te deixando, te lembrando, te esquecendo. 

Eu esperei pacientemente. Eu chorei tantas vezes, quis gritar, correr, fugir... mas, lá estava, parada no mesmo lugar.

 Esperando... Sentindo... Morrendo. 

Quando a última pessoa se foi, eu quase corri pra 'você', andei apressadamente, em pé, fixei meu olhar pra baixo, para o monte de terra que te cobria, para as inúmeras flores que adornavam o lugar. 

Tudo tão mórbido. Tão triste. Tão sepulcralmente perfumado.
Ajoelhei, alisei a lápide, com a ponta dos dedos desenhei seu nome escrito na pedra fria do mármore. Não havia dizeres escritos, apenas seu nome e datas. Nada mais. Não era preciso. Foquei nas datas, nascimento e morte, tão cedo  pra partir, tão novo pra morrer. 

Deixei que as lágrimas escorressem de meus olhos livremente. Deixei que os gemidos de dor escapassem de meus lábios facilmente. Deixei gritos ecoar pela solidão do cemitério vazio e frio. 

Deixei meu coração doer, sufocar, morrer. De novo. E de novo.


— Ei. — Minha voz saiu rouca, baixa, molhada. — Estou aqui...  — Minha voz falhou, as lágrimas sufocavam. — ... para me despedir de você. Eu não quis tá presente quando todos ainda estavam aqui, não quis que vissem meu sofrimento, não quis que escutassem minhas palavras. Eu queria estar sozinha, digo, apenas com você. Pode me ouvir? Pode? — Apertei os olhos com força, estava ficando louca, estava implorando por atenção de alguém que não estava mais presente, que não estava mais... vivo. 


O vento soprou mais forte, fustigando a minha  pele, bagunçando os meus cabelos. 


— Eu queria ter dito tanta coisa... queria ter te falado da beleza dos meus sentimentos e agora tudo o que me resta é a parte feia da minha raiva, da minha dor, da minha fúria. Por quê? POR QUÊ? — O grito agudo assustou os pássaros que revoaram pra longe daquela agonia rasgante. 


— Eu odiei cada segundo as piadas que você me contava, não achava graça, meu riso era falso só pra você não ficar chateado comigo... e o que eu não daria pra ouvir novamente suas piadas ridículas, dessa vez eu riria, juro que seria um riso verdadeiro. Juro!

 Mais lágrimas. Mais dor. Mais arrependimentos. 


— Eu sentia saudades nos dias em que não nos víamos. Disfarçava lendo livros, ouvindo músicas... mas era você... sempre era você que aparecia nas páginas do livro ou nas notas das músicas. Eu discava seu número inúmeras vezes, nunca ia até o fim, não queria demonstrar que você era a minha fraqueza, o meu amor. Não quis te amar. Não quero te amar. NÃO. — Sacudi a cabeça com violência, com desespero. 

Negando o amor. Negando o amado. 
Negando a morte. 


— Se eu soubesse... — Minha  respiração estava ofegante, doía respirar. Doía viver agora. — Se eu soubesse que aquele dia seria o último, o último abraço, o último beijo, a última vez em que tocaria a sua pele quente, a última vez que ouviria sua voz sussurrada em meu ouvido falando meu nome com malícia, eu teria... feito diferente? Eu não sei, foi tudo tão perfeito, tão único, tão nós. Hoje, só há um de nós. Só... Você. Eu... Morto... Vivo. 


— Eu nunca quis te amar, mas te amei com toda a força da minha alma. E agora? O que eu faço com essa vida vazia que ficou? O que eu faço da minha vida sem você? O que eu faço sem você? — Com os punhos fechados, socando a terra, as flores, chorei ruidosamente. Lentamente levantei-me, sacudi a terra dos meus joelhos, deixei as lágrimas caírem grosseiramente sobre a lápide, deixei meu coração ali enterrado junto com o meu amor. Deixei um pouquinho do meu passado, uma boa parte do meu presente e o meu futuro quase intocado enterrados ali com ele. 

Eu não levei flores, eu levei meu coração, minha alma, minha vida, meu amor, minhas lágrimas. Eu levei meu último suspiro, meu último beijo, minha triste despedida.


— Nosso amor ainda não acabou. — Falei entre dentes cerrados, tentando não gritar minha dor novamente. — Não acabou... 


Fui embora prometendo voltar. Prometendo ficar. Prometendo te  amar... pra sempre!


— Rosi Rosa. 



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Imersos





De repente, ele partiu. 
Não disse nada. 
Apenas, se foi.
 Levando o meu coração com ele.
 Levando pedaços da minha vida. 
Levando tudo. 
Alegria, risos, olhares brilhantes. 
Deixou-me apagada, na escuridão, vivendo em sombras de dor. 
Eu ainda me lembro do sorriso dele. 
Do cheiro. Do gosto. Do toque.
Dele. 
Mas de repente, tudo se acabou. 
Apagou.
O amor. Os risos. Os toques. A paixão.
Nós dois. 
Viramos um. 
Eu. Você. 
Separados. 
Estranhos. 
Amargurados. 
Imersos. 
Em solidão e sofrimento. 

Num romance que chegou ao fim ainda no começo. 



— Rosi Rosa. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um amor morto.



Você apareceu.
Eu te segui.
Em sonhos te vi.
E te perdi.
Cadê você? 
 Não está aqui!
Acordada, vejo o vazio.
Frio.
Sem você.
No quarto escuro.
Num mundo escuro.
Numa vida escura.
Cadê você? 
Partiu!
Nos sonhos, fugiu.
Na realidade, morreu.
Um amor morto. 
Preenchendo um coração sombrio.
Rosi Rosa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Não mais




Olhei pra porta e  fechei os olhos com força e mesmo assim, senti minha face ficar terrivelmente úmida. Eu não conseguia mais conter as lágrimas, ela caíam, sem fim.
Molhava meus lábios, castigava meus olhos. 
Lágrimas. 
Um silêncio molhado, por lágrimas. 
Silêncio. 
Abri os olhos, eles estavam turvados, uma rápida olhada pela janela aberta e vejo que o céu antes tão azul, agora estava nublado. 
Seria o tempo ou minha visão manchada por lágrimas?
O coração apertado, meus lábios crispados. 
Minhas mãos vazias. 
Não houve beijos de despedidas.
Não houve sequer um 'adeus' rápido. 
Você partiu sem deixar um bilhete. 
Você partiu levando meu coração.
Olho mais uma vez minhas mãos, querendo estar segurando um bilhete de partida, mal escrito e  apressado. Mas com um fim, adequado. 
Nada. 
Choro ainda mais alto, rompendo o silêncio com minha angústia. 
Olho pra cama marcada por nossos corpos, os lençóis ainda bagunçados, ainda posso sentir o perfume do nosso amor. 
Amor? 
Sexo.
Nada mais. 
Eu te amei durante todo o tempo em que você apenas me desejava. 
Errei.
Deveria ter lhe dado apenas o meu corpo, mas, estúpida dei-lhe bem mais do que merecia.
Dei-lhe meu coração.
Dei-lhe o meu amor.
Recebi afeto contado, minguado. 
Quase nada. 
Alguns beijos, prazer, conversas vãs e solidão. 
As lágrimas ainda caem, fugazes molham meu rosto. 
Balanço a cabeça e sorrio sem alegria. 
Ele não vai voltar. 
Olho novamente a porta fechada,
Nenhum ruído. 
Nada de ser aberta e você entrar com um sorriso malicioso nos lábios e o olhar quente de saudades. 
Não.
Você não vai voltar. 
Não mais.  
Não pra mim. 
Outros braços sentirão o calor de seu corpo.
Não os meus. 
Não mais.
Nunca mais!

Rosi Rosa.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ao sol.



Sentei-me ao sol, ele aquecia minha pele, mas o meu coração continuava frio, gélido  e batendo descompassado. Serena por fora e vivendo uma batalha tormentosa por dentro. 
Essa sou eu!
Eu!
Que nas madrugadas me entrego a uma dor visceral, na escuridão do meu quarto, eu choro, sozinha. 
Quero conversar. Mas não tem ninguém pra me ouvir!
Quero gritar. Quero esbravejar. Mas isso resolveria essa dor que sinto? 
Resolveria? 
Não, a solidão não se resolve aos gritos e nem mesmo se eu brigar com o mundo. 
E é por isso que deixo o sol acariciar minha pele com seus raios quentes, na ânsia de me aquecer por dentro, e eu me sentir um pouco mais quente e...  

Viva. 



— Rosi Rosa


domingo, 27 de julho de 2014

Sabe o que é chato?



Sabe o que é chato? Perceber que tudo que acreditamos é uma verdadeira mentira. Destino, alma gêmea, amor verdadeiro, e todas essa bobagens infantis de conto de fadas.


- 500 dias com ela

Você foi feliz?




- Depois que eu fui embora, você foi feliz?
Me recordei dos choros, sofrimentos, loucuras e aquela vontade de morrer por sentir falta. Mas apenas virei para ele com um sorriso de indiferença e disse:
- Muito, muito feliz.
Thiara Macedo

Razão de ser



Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso,

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,

E as estrelas lá no céu

Lembram letras no papel,

Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?


- Leminski, Razão de Ser.

Pessoas e livros





Aprendi que as pessoas
não são livros,
onde você pode colocar
um marcador
e voltar
para mesma página
quando se sentir sozinha,
em uma dessas noites frias,
em que você precisa
de palavras
que aqueçam sua solidão.





- Sean Wilhelm

Girassol



Girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou.


- Caio Fernando Abreu.

Que seja lindo





Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira…). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjoos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina.


- Tati Bernardi.

sábado, 12 de julho de 2014

Eu te vi





Eu te vi tão distante. 
Sorrindo.
Eu te olhei e desejei que você também me visse.
Não viu.
Continuava sorrindo. 
Feliz.
Nos meus lábios, apenas um risco de tristeza. 
Seria o meu sorriso? 
Triste.
Tão distante você estava.
Tão longe de minhas mãos você se encontrava.
Tão longe de minha voz.
Do meu coração.
Eu gritaria, mas percebi que seu coração não reconheceria  mais o som da minha voz.
Continuei te olhando.
Memorizando a sua risada, a cor de seus olhos e até mesmo aquela ruguinha no seu nariz quando você fica pensativo.
Nesse momento, você estaria pensando em mim?
Eu sabia a resposta, claro que eu sabia. 
Sabia?
Mesmo assim, eu te memorizei inteiro. 
Na cabeça. 
No coração.
Te olhava fixamente enquanto você estava distraído, sempre sorrindo.
Te gravei na retina em luzes coloridas, somente pra te lembrar numa névoa escondida.
Sombreada. Nublada. Perdida.
Antes de me afastar definitivamente de você, eu te olhei uma vez mais e me permiti também sorrir, um sorriso mudo de adeus.
Silencioso.
Lágrimas rolaram de meus olhos e eu continuava sorrindo.
Sozinha.
Eu não soube o motivo de sua alegria, soube apenas o motivo da minha: eu te vi. 
Longe. Distante. Sorrindo.
Eu te vi.  
Longe de mim. 
E feliz!

 — Rosi Rosa.

Aceite-me. Me ame.




Aceite-me. 
Me ame.
Não me aceitou. 
Não me amou.
Nem adeus declarou. 
Apenas partiu. 
E me deixou.
Coração partido. 
Grito perdido. 
Confiança esquecida.
Nunca me amou.
E o que eu senti, era amor? 
Se foi, só me restou dor. 
A mesma dor que se transforma em lágrimas. 
A mesma dor de não ser amada. 
Por você. 

Aceite-me. 
Me ame.
Por favor!
    

                                                    — Rosi Rosa.









Se tudo fosse perfeito




Se as coisas fossem perfeitas
Não existiria lições de vida
Não haveriam arrependimentos
E nem descobertas...
Se tudo fosse perfeito
Mãos não se uniriam
E sonhos não seriam valorizados.
Se tudo fosse perfeito
Olhares não se completariam
E gestos passavam despercebidos.
Se tudo fosse perfeito
As lágrimas não existiriam
As palavras seriam perfeitas...
Se tudo fosse perfeito
Eu pularia no abismo
Sem medo da morte
Pois asas eu ganharia...
Se tudo fosse perfeito
Eu atravessaria o oceano
Sem medo de ser levada pelas ondas
Sem receios de me perder em suas profundezas.
Se tudo fosse perfeito
Dores não existiriam
E a cura não seria procurada...
Se tudo fosse perfeito
Não haveria a busca pela perfeição...
Nada é por acaso
Pois nem o destino
É Perfeito.



(Autor: Fabiana Thais Oliveira)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Das mentiras que você conta






Ele disse que me amava e eu soltei uma sonora gargalhada.
— Você dá risada do meu amor? — Ele reclamou ofendido.
— Não, dou risada do amor que você nunca sentiu. — Retruquei com ironia.

Das mentiras que você conta. — Rosi Rosa.

Mais uma vez




Mais uma vez eu deixei de dormir pensando em você.
Mais uma vez eu chorei por não ter você.
Mais uma vez eu temi a escuridão sem você.
Mais uma vez eu tentei resgatar sonhos com você.
Mais uma vez eu não dormir. 
Mais uma vez você conseguiu me ferir. 
Longe... e ainda me machucando, mais uma vez. 

— Rosi Rosa

Preciso ter alguém



De novo a solidão bateu
Eu vou chorar
O meu coração vazio
Sem ninguém pra me amar
Estou perdido feito tantos por ai
Sem carinho, sem amor
Sem rumo certo pra seguir

Quero ter alguém
Pra dividir o meu espaço
Quero colo, um carinho um
Abraço
Quero ter alguém

Que me faça acreditar
Que ainda existe um grande amor
Que me traga meu sorriso
Que o tempo apagou

Quero amor, quero amar
Quero amor, quero amar 

Música de Raça Negra

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Eu sou o caos





"“Alô, 190 qual é a sua emergência?”
Eu queria relatar a existência de uma bomba. 
“Ok, se acalme e nos diga aonde está a bomba”. 
Eu sou a bomba! Eu sou o caos, essa destruição imensa vem daqui de dentro. Eu não tenho nenhum lugar para ir, nem pessoas pra quem ligar, eu sou a emergência, e não importa o que aconteça e estou sempre com a sensação de que vou estourar. E vou."



- Ciceero M.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pátria amada?








O país passa fome, frio e morre a míngua sem saúde. 

Ouviram?
Mas na COPA, só ligam se fulguras ó Brasil, florão da América. 
Quem liga, se és mãe gentil e estão pedindo esmolas aos filhos desse solo, amado?

É gol. Pátria Amada Brasil! É gol!

E o povo é heroico e grita o gol com um brado retumbante. 


Gol!


E o brilho do céu tão forte, nesse instante, deixa a seca escaldante.
Em raios fúlgidos. 
Conquista com o braço forte, óh pai trabalhador, criando seus filhos numa casa sem espaço e liberdade. Com muito amor. 
Ele desafia a própria morte, nos transportes defeituosos da idolatrada, salve, salve.
Pátria amada.

E o sonho? E o amor? E a esperança?
A terra desce. 
E um raio corta o céu formoso, risonho e límpido. 
Escuridão e tristeza resplandece. 
Brasil.
E que futuro espelha essa grandeza,
terra adorada?
Em outras mil, o futuro fugiu nas mãos dos endinheirados. 
Deixando os pobres sem educação e nenhum tostão. 
Ao som do mar, o céu profundo,
ouve-se lágrimas de desespero
ao imaginar o novo mundo
traiçoeiro e sem dinheiro. 
Cadê os sorrisos dessa terra, mais garrida?
E aquelas flores murchas num campo acinzentado e  morto?
Gigante pela própria natureza?
Não, pequeno e cheio de estranhezas.
Colossal e  impávido?
Não, covarde, ávido. 
Nossos bosques tem mais vida e mais amores?
Que vida?
Que amores?
Estamos morrendo, pátria amada.
O Brasil é um símbolo eterno 
de desigualdades, que ostenta, estrelado.
E o que diz a flâmula? 
'Paz no futuro e glória no passado.'
Não há futuro, quando a justiça ainda se ergue no passado.
Verás que o filho teu nem entra à  luta.
Ele foge.
Ele teme a própria morte. 
Terra adorada.
Coloca uma venda em outras mil pra não ver o quão está manchada.
Esquece a mãe gentil.
Morre o filho desse solo,
sem cuidado e sem respeito.
E na copa, grita-se gol.
Esquecendo os seus defeitos. 

És tu Brasil. 
Pátria amada?

— Rosi Rosa