domingo, 13 de novembro de 2016

Eu ainda penso sobre o futuro


Eu quis tudo com você.

 Eu quis uma casa, filhos, cachorro. Eu quis uma vida ao seu lado. Eu quis a união de dois corações. Nossos corações.
Eu quis você por tanto tempo. E hoje, o que eu tenho?
Apenas saudades e memórias. Lembranças quase esquecidas. Fotos perdidas no fundo da gaveta. E planos desfeitos por sua indiferença.
Só sobrou restos de uma paixão que só eu senti. Restos de um passado esquecido por você.  Um passado nosso. Um passado meu.
Restou apenas o seu silêncio e a minha solidão.
Eu estou tão cheia de lembranças silenciosas de nós dois, que causa tanta tristeza e dor em meu coração.
O passado dói.
O presente dói. 

Eu tentei amar outras pessoas, beijar outras bocas, me aquecer em outros corpos... mas tudo o que eu pude pensar era em você e em nossos planos de um futuro juntos. Um futuro prometido que não aconteceu.
Eu queria ser o seu futuro, e hoje, sou apenas alguém que você conheceu no seu  passado. Mais que uma estranha. Menos que uma amiga.
E eu me pergunto, o que você é pra mim, depois de tanto tempo separados?
Alguém que eu amei? Alguém que partiu meu coração? Alguém que eu ainda amo?
Eu não sei. Só sei que ainda dói pensar em você, e no futuro juntos que não aconteceu.
Cada sentimento, cada pensamento, cada sensação, tudo ficou pra trás. Esquecido por você.
Meus dias de planejar o futuro já passou. Por sua causa.

Eu ainda penso sobre o futuro que teriámos.
Eu ainda penso em você, sabia?
Será que você ainda pensa em mim?

Rosi Rosa

sábado, 20 de agosto de 2016

Sonhos Perdidos


Sonhei
Acordei
Você
Sorrindo
Eu 
Chorando
Sonhei
Correndo
Você
Fugindo
Amor
Perdido
Amado
Partindo
Sonhei
Desejando
Você 
Comigo
Acordei
Chorando
Sonhos
Perdidos.

Meu coração grita pra ter você comigo. 
Me conforte. 
Me abrace. 
Me ame. 
É apenas um sonho.
Um sonho perdido. 
Entre risos e lágrimas, acordei sozinha. A cama vazia. 
Sem calor. Sem paixão. Sem amor. 
Sem você.
Vou ter que te esquecer. 
De novo.
Até o próximo sonho...




— Rosi Rosa.  

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Já me esqueceu?



"Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu.
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu."

— Chico Buarque.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

8 de Abril






Era o dia do aniversário dele.
Ela estava sozinha, lamentando. 
Ele? Feliz e amando outro alguém. 



Deitada, permaneci de olhos fechados, sem querer pensar no dia que acabava de amanhecer.

8 de Abril. 
Era o dia do aniversário dele. 
Eu estava tão cheia de lembranças silenciosas. 
Todas dele. Todas nossas. 
Sorrisos e lágrimas. 
Memórias perdidas no tempo, mas impossíveis de serem esquecidas.  
Fechei os olhos com força tentando apagar as lembranças dos beijos, dos abraços... tentando esquecer a sensação do corpo dele no meu. Do toque sedutor de seus dedos em minha pele aquecida. Dos lábios dele nos meus. Do coração dele batendo tão forte junto ao meu. Dos olhos dele, tão incrivelmente verdes e brilhantes fixos nos meus.
Não consegui. 
Eu ainda o respirava. O amava. O desejava. O queria ao meu lado. Agora. Sempre. 
Imaginei todos os aniversários que passamos juntos, lembrei das risadas, dos presentes... do amor que um dia sentimos. 
Amor?
Lágrimas escorreram pelo meu rosto, molhando meus lábios entreabertos e trêmulos. 
Era o dia do aniversário dele. 
E o meu sonho de amor havia acabado. 
Sonhos e planos destruídos, emoções que não vivi totalmente, amor que não declarei verdadeiramente e lágrimas que desperdicei inutilmente. 
Ele. Eu. Nós. Não existia mais. 
E será que um dia existiu?
Eu estava sozinha. 
As coisas nunca saem mesmo como a gente espera.
Os planos são desfeitos. 
Os sorrisos apagados. 
E o que resta? 
Apenas promessas quebradas e corações partidos. 
Apenas a solidão de mais um dia comum. 
Mais um dia sem ele. 
Tentei mais uma vez não lembrar dele, deixar que esse dia passasse como qualquer outro. 
Triste e solitário. 
Não consegui. 
E pensei... pensei muito. 
Nele. Sempre nele, droga!
No seu dia especial. 
Na comemoração com outras pessoas. 
Outro amor. Outro alguém no meu lugar. 
Nos sorrisos. 
Nos beijos. 
Nos abraços.
Nos presentes. 
No amor... Que não era mais meu. 
Como ele estaria agora? 
Feliz? Apaixonado?
Como esconder o ciúme que machucava o meu coração?
Seria egoismo meu desejar que ele também estivesse sofrendo nesse dia por não estar ao meu lado?
Sofrendo por não ter mais os meus abraços? 
Sofrendo por não ter mais os meus beijos? 
Seria egoismo?
Seria?
Era o dia do aniversário dele. 
E tudo o que eu podia pensar era na nossa separação. 
No adeus não dado. 
No último beijo perdido. 
Na declaração fugaz de um amor esquecido. 
Tanto sofrimento e tanta paixão. Perdidos. Dentro de mim!
Apertei os olhos com força, o coração disparado, o rosto úmido de lágrimas, dei um sorriso triste, tentando esconder a dor. 
A dor da solidão. 
Agora tudo o que eu podia sentir era mágoa. Decepção.
Uma vida sem amor. Mais solidão. 
Sem emoções, sem esperanças, sem sentimentos. Sem ele!
Era o dia do aniversário dele. 
Respirei fundo e sussurrei com paixão e amargura na voz:
— Parabéns pra você! - Eu o amo, murmurei. Ainda o amo?, pensei tristemente. Amo? Mesmo depois do adeus e do silêncio dele? 
Ainda o amo? 
Senti um aperto no coração e fiz uma prece silenciosa, apenas um leve murmurio de lábios semicerrados, desejando felicidades pro meu amor do passado:
— "Não pense que eu me esqueci, tem datas que é impossível de se esquecer: Feliz Aniversário!"
Uma lágrima escorreu por meu rosto, deslizando suavemente até meus lábios, murmurei o nome dele no quarto vazio e escuro, e por um breve momento vi que eu o amei por todas as razões erradas, que arrisquei meu coração em vão na certeza que um dia o teria por inteiro. 
Corpo, alma e coração. 
E no fim, sempre o tive pela metade. E eu queria mais, queria tudo...
Ele nunca me amou. Percebi que o amor machuca. E muito. 
Era o dia do aniversário dele. 
8 de Abril. 
Era o dia que eu iria esquecê-lo. 
Pra sempre.
— Adeus! Eu sempre amarei você. Feliz aniversário, Weslei. 
Foi um sussurro. Uma súplica. Um desejo.  Uma amargura. Uma dor. Um ressentimento. 
Um final.
Definitivo!




— Rosi Rosa. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Página de amigos




Ele quer amizade, depois de provar o amor ao lado dela. Encontrou outro alguém. Outro amor.
Ela o quer, apenas. Amor, e nada mais. Ele, e nada mais.


Ele ligou terminando
Tudo entre eu e ele
E disse que encontrou
Outra pessoa...
O telefone tocou insistentemente, inundando o silêncio persistente e calmo do meu quarto. Era ele.
— Alô? - Inseguro, ele falou num tom macio de voz. Sorri largamente de alegria. Como eu o amava.
— Alô. - Disse num longo suspiro apaixonado, desejando ele ali comigo para uma noite de prazer e excitação. Uma noite inteira de amor em seus braços, sentindo o seu cheiro. Sentindo o seu coração bater próximo ao meu com aquela paixão desenfreada que ele sentia toda vez que fazemos amor.
Silêncio. Algo estava errado. Eu sentia o meu coração fremir perigosamente de ansiedade e de expectativa.
— Eu quero terminar. - Ele disse assim, sem rodeios, sem meias palavras. Sem hesitações. Meu coração começou a bater num ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que sentia os meus joelhos bambearem e o meu corpo se retesar de surpresa e medo. Eu realmente tinha ouvido aquilo? Ele realmente tinha dito aquilo?
Terminar?
— Amor... - Comecei a falar num sussurro inquietante. Ele me interrompeu com um riso insensível, quase cruel.
— Eu encontrei outra pessoa. Me apaixonei por outra pessoa. - Eu reprimi um grito ao ouvir aquela sentença dita com indiferença e egoismo. Outra pessoa? Outra paixão? Quem? E eu? E nós? E o nosso amor? E tudo o que vivemos? Acabou?
Terminar! Tudo?
Resmunguei uma resposta, um grunhido, não sei, eu não tinha mais voz, eu não tinha mais chão. Eu não teria mais ele ao meu lado? As lágrimas desciam lentamente por meus olhos, escorrendo por meu rosto, molhando meus lábios trêmulos, manchando o meu amor por ele.
— Eu... Eu não estou entendendo. - Gaguejei, a voz baixa, estremecida. — Você. Encontrou. Outro. Alguém? E. Eu? - Falei pausadamente, respirando fortemente, soluçando as palavras fracamente.
— Eu sei que você ainda me ama. Eu sei que te amei. Mas acabou. - Ele estava tão calmo, a voz num tom tão suave, enquanto o meu coração se revoltava dentro do meu peito agitado.
— Amou? Acabou? - As palavras deixavam a minha boca num tom incerto, inseguro, incompleto. Devagar e sofrido. Eu te amo, quis dizer alto. Eu te amo, quis gritar.
— Entenda, o meu amor por você acabou. - Poucas palavras. Nenhum sentimento. Muito sofrimento.

Ele jogou os meus sonhos
Todos pela janela
E me pediu pra entender
Encarar numa boa...
Um sorriso. Dele.
Novas lágrimas. Minhas.
— Talvez seja melhor você esquecer nossos beijos, nossos abraços, nossos momentos juntos. - A voz dele saiu sedutora e fatal. Cruel demais. Insensível demais.
Nossas lembranças. Nossos beijos. Nossos abraços. Todos os momentos ao lado dele... Esquecidos?
— Esquecer tudo? - Disse, mordaz, infeliz. Inclinei o corpo, com a ponta dos dedos toquei meu peito, o coração saltitava desesperado, passei a língua ao longo dos meus lábios cerrados, lambendo o sal de minhas lágrimas. Sentindo um vazio, uma dor. Sentindo tanta tristeza e amargura.
Um novo silêncio preencheu aquele momento de angústia. Um estranho silêncio.
— Esquecer tudo? - Repeti num murmúrio, minha voz soou fraca e cheia de medo, forçando um sorriso frio e melancólico nos lábios estremecidos.
— Sim. - Ele disse com uma firmeza exagerada. Uma resposta curta, direta, dolorosa. E pra machucar ainda mais meu coração, ele brincou comigo... — "Por favor entenda o seu nome vai ficar na minha agenda na página de amigos".– Ele disse isso em poucas palavras. Tão lentamente. Tão certo. Tão distante. Indiferente à tudo o que vivemos juntos. Indiferente ao sofrimento que me causava com aquele rompimento repentino.
Ele havia se apaixonado por outra? Como? Quando? E ele queria ser meu amigo depois de tudo o que vivemos juntos? De todo o amor que sentimos?
— Como é que eu posso ser amiga de alguém que eu tanto amei? – Abruptamente gritei, desesperada, perdida, rejeitada. Rindo nervosa. Ouvindo os compassos frenéticos de meu próprio coração se quebrar em vários pedaços.
O que fazer? Implorar? Mas amor não se implora. Não se pede. Ou ama ou não ama. Será que eu amei sozinha todo esse tempo?
Silencioso, eu ouvia apenas o ressoar forte de sua respiração compassada. Será que ele não se sentia culpado por destruir os meus sonhos e planos com ele?
Encostei na porta e fui deslizando vagarosamente até o chão frio, esperando ele falar alguma coisa, qualquer coisa. Eu estava confusa e vulnerável. Eu estava despedaçada.
Ele não disse nenhuma palavra. Nada.
— Certo. - Disse relutante, aceitando o fim. Aceitando que não teria mais seus beijos. Aceitando que não teria mais seus toques. Aceitando que o perdi... pra outra. Outra.
Do outro lado da linha, a risada dele foi inesperada e rude.
Eu aproximei meus lábios ainda mais do telefone e declarei num sussurro, suplicando.
— Você disse que seria pra sempre. Que nós seriamos pra sempre. Que... - Ele me interrompeu com agressividade e raiva.
— Ninguém pode prometer que algo será para sempre. Nada é pra sempre. - Ele retrucou com voracidade, as palavras sendo cuspidas com sarcasmo. E desligou. Me deixou. Sozinha. A solidão insuportável querendo me abraçar a força, a casa vazia, o coração vazio, a vida vazia. Meus olhos brilhavam com lágrimas derramadas. Meu corpo inteiro estremecendo de sofrimento e mágoas.
Ele deixou sua marca de diferentes maneiras em minha vida, em meu corpo, em minha alma. E agora?
Sem amor. Sem paixão. Cruelmente rejeitada. E eu apenas queria amá-lo, pela última vez. Última vez?


Não sei o que eu vou fazer
Pra continuar a minha vida assim
Se o amor que morreu dentro dele
Ainda vive em mim...
Amigos? Seremos amigos? Soltei o telefone que caiu no chão ruidosamente e abracei o meu corpo com força bruta.
Como é que eu posso ser amiga de alguém que eu tanto amei?
Perdida em pensamentos, sentimentos e sensações, chorei a noite toda, esperando ele entrar por aquela porta, sorrindo daquele jeito debochado e sexy, dizendo que tudo fora uma brincadeira. Uma terrível brincadeira.
Não foi. Ele não voltou. E eu tive que enfrentar os dias de solidão com a cabeça erguida e o coração partido.
E hoje, depois de alguns meses, ainda sofro com o silêncio e a tristeza de mais um dia sem ele.
Ele ligou. Não atendi. Como ele quer ser meu amigo, se o amor que morreu dentro dele ainda vive em mim?

—  Rosi Rosa




N/A: Texto inspirado na música Página de amigos (Alexandre/Rick).
 Vídeo aqui




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Era amor



Ele, professor.
Ela, aluna. 
Um amor impossível? 
Um romance proibido?

— Defina desejo. – Ele disse com um desafio na voz, perigosamente suave, sensualmente ousado, os olhos brilhantes de paixão fixos na delicadeza do rosto dela.  Sutil beleza e inocência.

— O que eu sinto por você. – Hesitante, ela o fitou, os olhos verdes penetrantes, a boca levemente aberta, o coração aos pulos.

Ela parecia nervosa.

Ele encostou seu corpo contra o dela, o olhar faiscando excitação e sorriu-lhe.

Ele parecia divertido.

— E amor? Como você o define, querida? – Carinhoso, ele perguntou com ousadia misturado com o inesperado medo da rejeição e o gosto amargo do proibido.

Ela não encontrava as palavras certas, a resposta certa. Ou talvez, fosse a mesma resposta da pergunta anterior: O que eu sinto por você.

Ele a tocou suavemente. Ela o olhou rapidamente. Apenas pequenos toques e olhares rápidos.

— Sonhos, poesia, beijos, paixão, sorrisos, desejo, romance, compaixão, perdão, promessas, abraços, prazer, amizade, loucura, intimidade, generosidade, sensações, felicidade, carinho, silêncios, confiança, pecado... – Com uma leve piscadela, ela foi falando pausadamente, a voz baixa e profunda fazendo-o tremer de excitação e ansiedade, ela umedeceu os lábios lentamente com provocação, ele lhe deu um meio sorriso, perdidamente apaixonado e dolorosamente excitado, em seu olhar azul um desejo explícito com o movimento sexy da língua rosada nos lábios carnudos. — ... Você. – Terminou com um pequeno sorriso nos lábios, a voz sedutoramente rouca. Aquelas palavras prometiam prazer absoluto e amor eterno, ele ofegou longamente e depois beijou-a nos lábios, um beijo demorado e suave.

Segurando o corpo delicado e sensual, ele beijou-a profundamente mais e mais, provando todo o seu amor, instigando todo o seu desejo.

Ela sentia o sabor dos lábios dele no seu. Ele sentia todo o amor de seus lábios em cada simples toque da língua feminina na sua.

Talvez fosse amor. Era amor? Ela ainda duvidava desse sentimento único e avassalador. 
Era desejo. 
Era prazer. 
Era paixão e fogo.
Era pecado.
Era urgência.
Era proibido.
Subitamente, ela soube o que era...
Definitivamente, era amor.

Sentimentos e sensações se misturavam naquele beijo. Ele sorriu, puxando-a ainda mais para a curva do seu corpo masculino e pecadoramente excitado.

Ele sentia as batidas do coração dela contra o seu corpo. Dois corações. Uma batida. 

— Eu amo você demais. – Sussurrou junto a sua boca, sua respiração quase uma carícia, disfarçando o seu sorriso, ela o beijou de novo, um beijo mais urgente, mais pecador, mais íntimo, sentindo aquele corpo longo e rígido colado ao seu corpo miúdo e macio, sentindo as batidas fortes do coração dele junto ao seu próprio coração.
Dois corações. Uma batida.

Ela o abraçou com força. 
Ele a beijou com ímpeto.

A boca exigia tudo. Lábios. Língua. Saliva. Amor... Os dois sabiam que não poderiam resistir àquele sentimento.

Era amor. 
Um amor quase proibido.

Um amor inusitado entre uma jovem aluna universitária e o seu tímido professor versado, perfeitamente respeitável.

O doce frescor da inocência misturando-se com o fulgor ardente da experiência.

Um romance proibido!? 
Mas, pra quê se preocupar? 
Era amor. E ponto final.


O amor é um abraço apertado, um olhar que se encontra, um silêncio que não incomoda (...)
— Clarissa Corrêa


— Rosi Rosa







domingo, 13 de setembro de 2015

"Fica."




"Eu fiquei! De um jeito ou de outro eu fiquei! Eu esperei e esperei e você… Nada. Nem uma palavra, nenhuma atitude. O que poderia fazer? Insistir em ser uma companhia vazia, que você nunca fez nenhum esforço pra manter? Eu poderia ter ficado por perto, bem perto e aguentado até às vezes que fosse insuportável ficar. Mas eu precisava saber que você queria, nem que você falasse mesmo baixinho: fica."

- Dona Geo

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

E cada vez que eu fujo


Quando as lembranças ficam de um amor que já se foi.

Fotos, letras, presentes... tudo seu, tudo escondido e esquecido no fundo da gaveta, tudo falava de um amor perdido e de um romance desfeito, guardando lembranças, recordações e sensações de tudo que amei (E faço das lembranças um lugar seguro).  De tudo o que desejei e que por pouco tempo vivi. (E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais).
Você partiu, deixando um rastro de lágrimas e solidão. (Não cabe mais sermos somente amigos) 
Eu fiquei, esperando você voltar, você ligar, você me amar. (Eu e você Não é assim tão complicado)
Nada disso aconteceu... amarguei dias tristes e noites longas. (Que a estrada sem você É mais segura)
Você não voltou! (E é por isso que atravesso o teu futuro)
E hoje, depois de tanto tempo, depois de quase não pensar em você, encontro resquícios de nosso passado, misturando-se com o vazio do meu presente, e percebo, que mesmo depois de tanto tempo, de tantas lágrimas e de tantos xingamentos, percebo... que ainda não te esqueci. (E quando finjo que esqueço. Eu não esqueci nada)
De nada valeu a solidão. (Entre nós dois Não cabe mais nenhum segredo)
De nada valeu as madrugadas solitárias. 
De nada valeu as lágrimas que derramei. (Se eu tento esconder meias verdades)
De nada valeu o tempo. (Nem revirar um sentimento revirado)
Continuo esperando o amor acontecer. (Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível O amor acontecer?)
Continuo te esperando... em vão. (A frase fica pelo avesso)
Continuo esperando você entrar por aquela porta, com o mesmo sorriso descarado nos lábios (Teu sorriso é só disfarce), os olhos verdes brilhando de paixão (Leio o teu olhar) e uma verdade inventada na boca (Que eu já não tô nem aí pra essa conversa). Eu juro, correria para os teus braços (E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais), te abraçaria forte e jamais te deixaria partir. Nunca mais. (Eu sei você vai rir da minha cara).
Todavia, nada disso vai acontecer. Você escolheu viver outra vida, com outro alguém, outro amor, uma nova paixão. (Que a história de nós dois não me interessa)
Guardei todas as recordações, as fotos, as cartas, os presentes... tudo escondido novamente no fundo da gaveta. (Sinto dizer que amo mesmo).
E sabe o que restou? (Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa. Falar só por falar)
Restou apenas a dor de tentar outra vez te esquecer. (Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado

Mas toda vez que eu procuro uma saída

Acabo entrando sem querer na tua vida)


Rosi Rosa




N/A: Trechos da música Quem de nós dois de Ana Carolina inserido no texto entre parênteses.  

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Foi um adeus


Ele, solidão, desespero, amor. 
Ela, decisão, confusão e também solidão.
Ele, lágrimas. 
Ela, adeus.

Silêncio.
Ele a olhava fixamente num misto de excitação, desejo e um quase desespero.
O que ela queria?
Mais silêncio.
Ela o fitava em desafio, o queixo erguido, os olhos flamejantes.
Decidida. Decisiva.
Mais e mais silêncio.
— Cansei de lutar por nós. – Sua voz soou alta, preenchendo o longo e tenso silêncio.
Ele balançou a cabeça, fechou os olhos por alguns instantes, suspirou pesadamente, naquele momento, sentia-se tão perdido e sozinho.
Sentia-se... imperfeito.
Incompleto.
O que ela estava dizendo? Como assim, cansou de lutar? Ele admitia a contragosto que ficou um tempo distante e frio, amando-a em silêncio, deixando o relacionamento dos dois esfriar um pouco.
Mas... Ele a amava. Amava! E ela não o amava mais?
— Eu... – Parou, engolindo em seco o gosto amargo da rejeição na boca, ele queria beijá-la profundamente, esmagar os lábios macios num beijo feroz capaz de fazê-la esquecer essa loucura de separação. De fazê-la se entregar novamente ao seu amor. De fazê-la sentir sua real paixão.
— Eu amei você. Amei! – A voz dela era apenas um sussurro... quase sofrido.
Amei? Amei?
O coração dele bateu mais rápido. Ela já não o amava mais. Mágoa e dor inundou a sua alma cruelmente.
Abriu os olhos com lentidão, os olhos dele reluziam incredulidade, raiva e o maldito amor.
Maldito amor!
Traiçoeiro amor!
— E o que eu sinto por você? – Ele gritou as palavras com vulnerabilidade, segurando-a com força pelas mãos, querendo tocar o calor de sua pele, querendo que ela sentisse todo o seu amor. Fora apenas um toque rápido e rude, ela puxou os braços com brusquidão, evitando o seu toque, evitando o perigo de seu olhar magoado. Evitando o seu amor.
Ele soltou um leve palavrão, os lábios retorcidos, o corpo trêmulo. Preso num turbilhão de novas sensações e de novos medos. Ela não o amava mais. E ele a amava tanto. Tanto.
E o que eu sinto por você? Ela pensou nas palavras ditas num engasgo de emoção e puro orgulho masculino, levou as mãos pro céu em rendição e ira, ela só queria que tudo acabasse, que cada um seguisse em frente com sua vida, separados. Sem dramas. Porque ele não entendia? Ela queria a solidão. Ela queria... o que ela queria?
Ela queria mais...
Queria... ficar sozinha. Sentia-se tão perdida e frágil, numa mistura de amor e ódio.
Impaciente, ela soltou um gemido baixinho. Ele a olhou profundamente, as palavras perdidas naquela tensão de sentimentos confusos e de raiva não declarada.
Ah, como doía amar! Ah, como doía não ser amado!
— Só... – Sua voz se perdeu, uma lágrima molhou seus lábios levemente, numa sutileza sôfrega de determinação. — Acabou, entendeu? – O tom autoritário e irritado da voz dela o fez querer sacudi-la pelos ombros e beijá-la mais uma vez.
Só mais uma vez?
Um beijo apenas? O último? Seria suficiente?
Não! Todo o seu corpo tremeu de fúria, tristeza e frustração.
Negação.
— Não quero que você vá. – Ele suplicou num fio de voz. — Não quero que acabe. - Pegou sua mão e levou até seu peito, pressionando onde seu coração batia descompassadamente o seu amor. — Eu ainda te amo, você não sente?– Não sentia vergonha em implorar por seu amor, fitou seus lábios trêmulos, seus olhos rasos d'água, sua respiração pesada.  Fique. – Implorou. A voz profunda mostrava desespero e dor.
Ou apenas dor. Muita dor.
Ela aproximou mais seus corpos, seus rostos, suas bocas. Fazendo o coração dele se revirar de esperanças e incertezas.
Aquecendo-o. De amor.
Ela o beijou levemente. Lábios nos lábios. Ele segurou os quadris dela com sutil excitação, beijando-a com pura delicadeza, passando a língua em todo o contorno de seus doces lábios com desejo, sentindo o seu gosto uma vez mais.
Seria a última vez?
Ela interrompeu o beijo, afastando-se rapidamente. Tocou com a ponta dos dedos os lábios inchados pelo beijo trocado, sem nada sentir.
Nem compaixão. Nem amor. Nem dor. Nem desejo.
Nada.
Os olhos estavam enevoados de tristeza e... a certeza implacável do adeus que seria dito.
Ofegante, ele apenas perguntou, incerto, infeliz com o distanciamento dela, com a indiferença em seu olhos azuis:
— O que foi isso? – A voz saiu cortante num esforço pra conter o grito e as lágrimas.
Dizem que homens não choram, mas tudo o que ele queria naquele momento era chorar, apagar com as lágrimas toda aquela dor e todo aquele sofrimento.
Estava sofrendo a dor da despedida da mulher da sua vida.
Sentia-se destruído.
E imperfeito.
Ela o olhou confiante. Perversamente decidida.
— Foi um adeus. – Cada palavra soou com crueldade e arrogância.
Esfriando-o. De dor.
Ele assentiu, o peito subindo num misto de despedida e mais desespero.
Depois do beijo, da leve carícia dos lábios, do coração com coração, ele imaginou que não seria o fim desse amor. Mas se enganou totalmente. Tolamente.
Ela não o amava mais.
Aceitou o adeus. O último beijo. O último aceno. A explicação vazia.
Aceitou tudo num silêncio resignado.
Não sorriu. Nada falou. Apenas ficou parado no mesmo lugar. Sentindo o seu coração se partir em mil pedaços e o seu mundo ruir num caos doloroso.
Sozinho. Sem ela. Sem o seu amor.
Eu amei você.
E agora, não mais.
Ela foi embora sem olhar pra trás. Sem enxergar o seu amor. Sem ver a sua dor. Sem ouvir seu coração clamando por ela.
Adeus, ela dissera e depois, restou apenas o silêncio.
E mágoa. E desilusão. E dor. A dor da despedida.
E restou o seu amor... por ela.
— Foi um adeus.
Adeus.
Ninguém nunca sabe quando aquele 'até logo' poderá ser, na verdade, um adeus.
(Augusto Branco)
E pela primeira vez, ele chorou. Um pranto doído. Silencioso. Lágrimas deslizavam por seu rosto numa profusão de angustia, dor e amor.
Mais angustia.
Mais dor.
Mais amor.
Lembrou do beijo. O último beijo. E quis gritar.
'Não vá. Volte e aprenda a me amar.'
Entretanto, ela já havia partido, deixando-o numa solidão inquieta, num desespero sem fim.
Despedaçado.
Sua história de amor... acabada. Sem um final feliz.
'Só me ame de volta, eu te imploro.'
No sussurro do silêncio sua voz se perdeu ao vento, e ele ouvia apenas a voz melodiosa dela dizendo o seu adeus.
É triste partir.
É triste ficar.
— Foi um adeus.



- Rosi Rosa.